Vida nova no Centro Antigo

Criado em 09 Maio 2014 Escrito por Revista B+ Categoria: Nudephac
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Antes do surgimento dos grandes shopping centers em Salvador, em meados de 1975, o grande point do comércio da capital era o centro antigo. Uma realidade estranha para os mais novos que percorrem os corredores refrigerados dos shoppings e vivem a decadência da região, mas não para aqueles que, assim como os empreendedores Joaquim Ruas e Israel Alves, sabem dos potenciais do local.

Os investimentos na revitalização do centro antigo comprovam a sua importância para a cidade. Segundo a diretora da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado (Conder), Beatriz Lima, mais de R$26 milhões estão sendo aplicados pelo governo estadual em obras de requalificação da Baixa dos Sapateiros, incluindo também Pelourinho, Rua Chile e a recuperação do Quartel do Corpo de Bombeiros, que faz parte do acervo de prédios antigos do local.


A prefeitura aplica atualmente R$4 milhões na solução do problema de ocupação irregular dos ambulantes na Avenida Sete. O aporte financeiro atrai investidores de outros estados, como o mineiro João Philip Dias. O empresário especialista em logística aplicou R$6 milhões no primeiro shopping popular de Salvador, o JJ Center, construído na Baixa dos Sapateiros.

Conhecida no passado como a região do glamour e da boemia, a Rua Chile, segundo Beatriz, é o símbolo mais representativo da difícil situação por que o comércio do centro antigo passa. Ela revela que o projeto de revitalização da área está baseado em um conceito muito usado em cidades históricas: “Temos que tornar o centro antigo habitável, para energizar a vocação comercial do local, o que é difícil, já que a maioria dos prédios é privada e encontrar seus proprietários tem se provado uma tarefa árdua”.

Coisa de família

A ideia de transformar o comércio de rua do centro antigo de Salvador em um shopping center a céu aberto era algo impensável para Joaquim Ruas na época em que ele abriu seu primeiro empreendimento, na Rua do Taboão, há 53 anos. Foi com seu pai, Antônio Ruas, que Joaquim, hoje com 85 anos, aprendeu o ofício de vender e a coragem para empreender.

Em maio de 1958, assumiu o desafio de ter seu próprio negócio. Uma das únicas cinco casas comerciais que ocupavam a Rua do Taboão passou a ser sua. Hoje, com o auxílio do filho Joaquim Ruas Junior, 52, comanda uma rede de cinco lojas, que ocupa a primeira posição entre as revendedoras de piso e revestimento no estado.

Para ele, a receita do sucesso das lojas, cuja matriz continua no Taboão, foi a aposta na qualidade dos produtos e no bom ambiente organizacional. “Investimos muito na relação com nossos empregados. São pessoas que, assim como eu e meu filho, têm um sentimento de amor pela empresa”, ressalta.

Mais que colaboradores

Israel Nascimento, 41, enxerga um futuro ainda melhor para o comércio de rua do centro antigo. As melhoras, segundo ele, passam pela mudança da imagem que muitos consumidores ainda têm de áreas como o Taboão. “Ao contrário do que pensam, é uma área segura, com a vantagem de oferecer qualidade com preços 50% mais baratos”, explica. Sua loja, Casas Pelourinho, especializada em materiais de decoração, ramo pouco explorado naquele local, tem 18 anos de crescimento constante - média de 10% ao ano.

O empresário não esconde a fórmula do seu sucesso: o foco nos profissionais que formam grande parte de sua clientela: os estofadores, capoteiros e cortineiros. “São clientes VIP”, ressalta. A valorização dos profissionais é ordem dentro da empresa. Tanto é que motivou Israel a criar o Dia do Estofador. Celebrado no dia 14 de outubro, a comemoração começou em 1998 com entrega de camisas e mostruários.

Na edição 2013, o evento reuniu 500 profissionais no Teatro da Casa do Comércio para palestras de aprimoramento técnico e shows musicais.

Um belo horizonte à vista

O mineiro João Philip Dias simboliza a chegada de um novo momento e representa uma nova geração de empreendedores no comércio de rua do centro antigo. O seu shopping popular, o JJ Center, na Baixa dos Sapateiros, vai disponibilizar 250 boxes para microempreendedores cujo público alvo é principalmente a classe C. A ideia do shopping popular nasceu da necessidade de diversificar seus investimentos. “No centro antigo de Belo Horizonte, os shoppings populares são uma realidade e um grande sucesso comercial.

A ideia era buscar um mercado menos concorrido e optamos por Salvador”, conta. A fé do empresário na revitalização do comércio de rua no centro antigo de Salvador é tanta que ele pretende construir mais um shopping similar na região. Será na Avenida Sete, na área localizada aos fundos do Mosteiro de São Bento. Mais dois estão sendo pensados para outras áreas da cidade. Um em Cajazeiras e para o outro está sendo negociada uma área na região do Iguatemi.

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