Bicho-Preguiça de Coleira


Ilustração de um Megatherium  uma preguiça gigantesca que viveu durante o Pleistoceno
há aproximadamente 20 mil anos atrás nas Américas do Sul e do Norte.
 
O Grupo das Preguiças
 
As preguiças atuais estão agrupada em duas famílias: Megalonychidae e Bradypodidae, os dois grupos de divergiram há cerca de 20. m.a. Alguns cientistas naturais propõem uma origem difilética para Choloepus e Bradypus foi proposta por alguns autores, com base em diferenças comportamentais, fisiológicas, morfológicas e moleculares, sugerindo que as aparentes similaridades entre as preguiçasde três e dois dedos são na verdade, consequência de paralelismo e que o modo de vida arboreal deve ter evoluido duas vezes no grupo (Azevedo, 2009)

Megalonychidae é a família das preguiças de dois dedos nos membros anteriores. Atualmente composta por um único gênero, Choloepus e duas espécis. C. Hoffmanni e C. Didactylus (preguiça real). Essa Família está restrita ás florestas neotropicais úmidas da América Central e do norte da América do Sul. (Wetzel, 1985) .
 
  
 Choloepus hoffmanni. Peters, 1858.
Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Hoffmann's_Two-toed_Sloth

Choloepus didactylus Linnaeus, 1758
Fonte: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9b/Choloepus_didactylus_2_-_Buffalo_Zoo.jpg


 
 
Bradypodidade é o nome da família das preguiças de três dedos nos membros anteriores. Composta pelo gênero Bradpus, que compreende quatro espécies (a) B.variegatus (preguiça comum ou de óculos) encontrada na Amazônia e nas regiões brasileiras de Mata Atlântica, Caatinga e Cerrado, e B.toquatus (preguiça de coleira) endêmica da Mata Atlântica e B.Tridactylus (preguiça de três dedos), encontrada na Amazônia e B. pygmaeus (Preguiça-anã) endêmica da Ilha Escudo de Veraguas, no arquipélago de Boca del Toro, na costa caribenha do Paranamá (Anderson e Handley Jr. 2001).
A preguiças-de-coleira (Bradypus torquatus)

As preguiças-de-coleira (B. torquatus) diferenciam-se externamente das demais espécies do gênero pela presença da pelagem preta na região dorsal do pescoço formando uma “juba” ou “coleira” que se estende até o meio das costas. As demais espécies do gênero apresentam uma “máscara” preta sobre os olhos e os machos adultos possuem uma mancha arredondada de coloração alaranjada no meio das costas denominada especulum (Wetzel, 1985).

Ao nascer as preguiças-de-coleira não possuem a “coleira” bem definida, uma característica marcante apenas nos adultos. Esta “coleira” é adquirida ao longo do desenvolvimento do indivíduo, sendo mais clara nos sub-adultos e completamente preta nos adultos (Lara-Ruiz& Chiarello, 2005; Pinder, 1993). Os filhotes da espécie pesam cerca de 300-400g e têm aproximadamente 250mm de comprimento total ao nascer. Na idade adulta uma preguiça-decoleira pode pesar mais de 6kg e medir cerca de 60-75cm, sendo a maior das espécies do gênero Bradypus (Lara-Ruiz & Chiarello, 2005).

As fêmeas são maiores do que os machos, e animais capturados em regiões de baixa altitude (0-200m) apresentam tamanho corpóreo menor do que aqueles de regiões serranas (600-1000m) (Lara-Ruiz & Chiarello, 2005). Essa segunda relação é interpretada pelos autores como uma característica adaptativa a condições climáticas distintas - quanto maior o indivíduo, menor a relação superfície/volume e, conseqüentemente, menor a perda de calor para o ambiente por unidade de peso corporal.

A diferenciação entre os sexos na preguiça-de-coleira nem sempre é possível através de características morfológicas externas. Muitas vezes climáticas distintas - quanto maior o indivíduo, menor a relação superfície/volume e, conseqüentemente, menor a perda de calor para o ambiente por unidade de peso corporal. A diferenciação entre os sexos na preguiça-de-coleira nem sempre é possívepor meio de características morfológicas externas (Cassano, 2006 ).
 
Distribuição
Distribuição conhecida da população de B. torquatus (preguiça-de-coleira) . Fonte: Edge evolutionarily distint & globally endangered

As populações conhecidas da Preguiça de coleira estão restritas a fragmentes remanescentes das florestas de Ombrofila do Bioma Mata Atlântica. Populações distintas sobrevivem nos estados da Bahia,Espírito Santo e Rio de Janeiro. Existem indícios de que essas populações isoladas possuam distinções genéticas significativas, coma populaçãodaBahia podendo formar uma potencialmente uma subespécie distinta (EDGE, 2009).

Ecologia
 
Como as outras preguiças, a preguiça de coleira passa a maior parte de seu período de vida sobre as árvores, dependurada sob os galhos ou sentada em uma bifurcação da árvore. Elas descem ao solo uma ou duas vezes na semana para urinar e defecar e nessas ocasiões aproveitam para de deslocar de uma árvore para outra. As árvores servem de camuflagem e fonte de alimento. A dieta consiste quase exclusivamente de folhas, flores, brotos, talos verdes e frutos esses itens são puxados para a boca com movimentos lentos dos membros anteriores. Como preguiças, esta espécie tem uma longa e multi-septadas estômago cheio de digerir celulose e bactérias, ito permite-lhes extrair energia do nutritiente pobres folhas maduras

As preguiças possuem um metabolismo extramente lento, que corresponde a taxa metabólica de um outro mamífero com cerca da metade de seu tamanha. Elas dormem cerca de 15 horas por dia e mantem a temperatura corporal relativamente baixa (30-34°C) para diminuir o gasto energético. A temperatura do corpo é regulada quando ela se move sobre e entre as árvores.

As preguiças geramente se movem metódica e lentamente embora possam se mover rapidamente quando necessário. Os indivíduos são ativos tanto durante o dia quanto à noite, são primariamente solitários embora habitem largas áreas (entre três e seis hectares) que frequentemente se sobrepõem a de outro indivíduos ou mesmo outra espécie de preguiça. Geralmente alcança a maturidade sexual em cerca de três anos, o que é um espaço de tempo relativamente curto para animais de seu tamanho e com baixa taxa metabólica. A reprodução geralmente ocorre no fim da estação seca (setembro-novembro) com as fêmeas tendo um único filhote após um período de gestão de cerca de cerca de seis meses. Os filhotes são desmamados cerca de 2-4 meses e se tornam independentes após 11 meses.
Estratégia de Defesa
A preguiças não adquiriram durante o processo evolutivo membros agéis e velozes para escapar de ataques ou mesmo se defender ativamente. Sua estratégia de defesa contra predadores como a harpia, o gavião penacho e alguns felinos é a camuflagem. Sua pelagem de coloração muito proxima à dos galhos as tornam praticamente invisíveis, outra ferramenta de defesaé a sua capacidade de girar a cabeça em até 270 graus, para vigiar os arredores. (Cadisani, 2009).Essas estratégisa tem se mostrado bastante ineficientes contra o seu principal predador atual,o homem, em eventos diretos como a caça ou indiretos como as indução de queimadas ou a fragmentação florestala sua baixa mobilidade as tornam vítimas extremamente frágeis.

Pressões e Conservação
    
Todas as espécies de Bradypus correm risco de extinção, devido à destruição do seu habitat. Neste sentido, merece destaque o fato da inclusão do B. torquatus (preguiça-de-coleira) na lista vermelha de animais "em perigo" pelo IUCN – The World Conservation Union. A B. toquatus também está presente nas listas de fauna ameaçada de extinção do IBAMA e dos estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro
A Mata Atlântica vem sendo explorada vorazmente para a extração da madeira, produção do carvão vegetal, celulose plantações e pasto para o gado, implantação de empreendimentos residenciais e turisticos e forma mais recente na região Sul da Bahia com implantação de plantações de cana-de-açuçar para produção de biocombustíveis.

As alterações ambientais em decorrência do avanço das fronteiras agrícolas têm determinado significativas fragmentações do ambiente, com reflexos estinção local e depleção da populações de a flora e fauna. Como as áreas de Mata Atlântica são caracterizadas por intenso endemismo, estes eventos de extinção terminam por determinar a extição das espécies.

Para as preguiças, o simples fato de caminharem lentamente entre um segmento de mata e outro, na busca de alimentos, tem facilitado a sua captura e a predação. Evidentemente a escassez alimentar significa uma contribuição a mais para a sua inanição e facilitação de sua captura. Por outro lado, uma alimentação escassa, aliada ao estresse sofrido pelo animal, muitas vezes se traduz por lesões do aparelho digestório, levando as freqüentemente à morte.

Estratégias de Conservação

    
Embora a preguiça de coleira ocorra em ao menos oito áreas protegidas é improvável que algumas dessas suporte uma população viável, devido ao seu alto nível de fragmentação nas áreas de distribuição das espécies. Extensivos esforços de conservação tem sido empreendidos para a preservação do Bioma de Mata Atlântica uma vez que este é o bioma de ocorrência dessa espécie e da maior parte das espécies de preguiças, Diversas Entidades como o Ministério Público do Estado da Bahia, por meio do Núcleo Mata Atlântica, a Fundação SOS Mata Atlânticao e o Projeto Corredores Ecológicos e exemplos efetivos desses.

A WWF também se envolve em projetos junto a comunidades no intuito de informar e sensibilizar as populações locais sobre a importancia de proteger este bioma. A Conservation International (CI) tem direcionado seus esforços de conservação sobre o ecoturismo e o uso como possibilidades de incremento e alternativa de renda local para a diminuição da transformação das áreas de floresta em áreas de agropecuária. (EDGE, 2009)

Em 1998 uma passagem sob o dossel da mata foi construida para as preguiças próxima a Reserva Biologica de UNA, a qual tem como objetivo resguardar, com 4.500 hectares de hábitat contínuo, a floresta de mata atlântica do desmatamento.Os esforços para translocação preguiças das zonas urbanas ou agrícolas para as reservas florestais protegidas parece ter sido relativamente bem sucedida até agora.

Estensivos monitoramentos de pós-locação tem sido feitos, os quais proveem importantes informações sobre esta espécie de preguiça, sua ecologia e requerimentos de hábitas bem como o próprios sucesso das translocações. Tentativas de reprodução das espécies em cativeiro não revelou tão bem sucedida, isto se deve ao fato de que esta preguiças não sobrevivem por mais que poucas semanas fora de seu ambiente natural. Projetos de pesquisa tem sido direcionados no entendimento das relações entre machos e fêmeas e filhos, de modo que estudos devem ser realizados para que em programas de reintrodução futuros hajam maiores possibilidades de suscesso na reprodução (EDGE, 2009).

O Núcleo de Biodiversidade do Instituto de Estudos Socioambientais do Sul da Bahia - IESB desde janeiro de 2003 também desenvolve um projeto denominado “Ecologia da preguiça-de-coleira no sul da Bahia” o projeto se enquadra em uma das linhas de pesquisa do Núcleo de Biodiversidade na qual são previstos estudos de populações de espécies chave (endêmicas, raras e ameaçadas de extinção), com o objetivo de propor estratégias de manejo e conservação.
Referências:

Anderson, R. P. and C. O. Handley, Jr. 2001. A new species of three-toed sloth (Mammalia: Xenarthra) from Panamá, with a review of the genus Bradypus. Proceedings of the Biological Society of Washington, 114:1-33

Cartelle, C. 1994. Tempo Passado. Mamíferos do Pleistoceno em Minas Gerais. Editora Palco, ACESITA [Assessoria de Comunicação da Compania Aços Especiais Itabira], Belo Horizonte, 131 pp.

Azevedo, N. F. de. Evolução cromossômica em mamíferos: estudos comparativos por pintura cromossômica em duas espécies de preguiças da família Bradypodidae e em duas espécies de marsupiais da família Didelphidae. Tese de Doutorado. Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. 69 p. 2009.

Cadisani, L. Preguiça de Coleira. Disponível em: http://www.editorasaraiva.com.br/sonialopes. Acesso em 12 dez 2000.
Cassano, C. R. Ecologia e conservação da preguiça-de-coleira (Bradypus torquatus lliger, 1811) no sul da Bahia. Dissertação de Mestrado. Universidade Estadual de Santa Cruz.Ilheus. Ba. 2006 p. 127.

Chiarello. A. G. Diet of the Atla ntic Forest maned sloth Bradypus torquatus (Xenarthra: Bradypodidae). 1998. Journal of Zoology. 246: 11-19.

Coutinho, B.R.; Moreira, D.O.; Zanon, M.S.; Leite, G.R. & Mendes, S.L. Criando Um Modelo De Distribuição Potencial Para Bradypus Torquatus: Influências Ambientais Sobre Sua Distribuição.

EDGE Edge evolutionarily distint & globally endangered - disponível em Acesso em 12 dez de 2009.

IUCN – União Internacional para a Conservação da Natureza. Red List of Threatened
Species. 2004. Disponível em: . Acesso em: 15 dez 2009.

Lara-Ruiz, P. and Garcia Chiarello, A. 2005. Life-history traits and sexual dimorphism of the Atlantic forest maned sloth Bradypus torquatus (Xenarthra: Bradypodidae). Journal of Zoology 267(1): 63-73.

Pough, F. H., Janis, C. M. E Heiser, J. B. A vida dos Vertebradis. 3ª ed. São Paulo:Atheneu, 2002.

Wetzel RM. 1985. The identification and distribution of recent Xenartha (=Edentata). Pp. 5-21, en: The evolution and ecology of armadillos, sloths and vermilinguas (GG Montgomery, ed.). Smithsonian Institution Press, Washington and London.

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